Este livro revela-se uma contribuição fecunda ao processo de desvendamento e defesa da Assistência Social, do Serviço Social e da explicitação das formas como vivem usuários e usuárias da Política de Assistência Social em Belém. Sem dúvida, adentrar nesse universo caracterizado por trajetórias de exploração, pobreza, opressão e resistência, a partir do aprofundando o campo teórico-metodológico da economia política e da dialética marxianas, com ênfase na categoria da reprodução social é penetrar em um universo de “dimensões insuspeitadas”, no qual cada vez mais, constata-se a impossibilidade de alcançar a realidade de usuários e usuárias das classes subalternas sendo estranhos à sua cultura, à sua linguagem, a seu saber do mundo e ao seu sofrimento gerados por uma ordem societária assentada na exploração de poucos sobre muitos. O alicerce teórico deste livro permite apreender a natureza das relações sociais na sociedade do capital. Merece destaque a pesquisa de campo que revelou a riqueza dos relatos dessas vidas, o que nos permite aprofundar a área da assistência social e o trabalho do Serviço Social, com seus dilemas e polêmicas pela problematização da categoria da reprodução social.
Em síntese, o texto apresentado é instigante e mobilizador, tratando-se de leitura obrigatória para todos que buscam conhecer um pouco melhor as barbáries do capitalismo nas condições de vida, da população com a qual trabalhamos. Interessa também a todos, que afirmam as Políticas Sociais como mediações fundamentais na garantia da vida com dignidade, à população, cujo direito mais universal é o da sobrevivência.