— Após o lançamento, muito bem-sucedido, de sua trilogia de contos – Lidando com o passado e outros lugares (2022), A caminho de Querétaro (2024) e Retábulos, predela (2025) – João Câmara nos brinda com o primeiro romance, em que faz explodir sua forma narrativa. Trata-se de um hiper-romance, uma obra em expansão, onde ele mostra som, fúria, cosmogonias. Lembranças íntimas vão se ampliando até formar um vasto sistema narrativo que abrange memória, sociedade, arte e tempo. Como observa o romancista Sidney Rocha na apresentação, o autor “recusa clímax e soluções morais. Na sua escrita, o que se acumula é a consciência de viver entre restos. Ao final permanece a sensação de ter atravessado um campo de forças onde arte, memória e sobrevivência são uma única Quimera”. O livro tem um subtítulo, 5h24 – 11h25, que remete à divisão do texto: cada minuto funciona como uma espécie de abertura de capítulo. “Horários exatos criam a promessa enganosa de cronologia. (...) o presente deixa-se penetrar por camadas históricas e afetivas”, ressalta Rocha. Mais de 40 ilustrações e vinhetas digitais, criadas por João Câmara e Franz Arbenz Irigoyen, enriquecem esse texto denso, permeado pela imensa cultura do artista plástico e escritor paraibano radicado em Olinda (PE). Para o poeta e crítico de arte Weydson Barros Leal, “não se trata apenas de um pintor que escreve ou de um escritor que pinta (...). Sua habilidade para a criação de cenários quase sempre oníricos, surreais, (...) pontua as cenas com um mistério inquietante”.