"Numa trajetória que lembra a iniciação das gueixas: ora são descobertas infantis, ora realidade dura, ora glória momentânea, ora pequenos poderes, um eu lírico feminino descobre que dentro de si mora não só uma menina ingênua, mas também algo como uma... 'Hetaera', um tipo de cortesã grega de alta classe que é uma mulher autônoma e complexa.
A busca desse eu lírico feminino é tão profundamente interna que se assemelha a uma cirurgia — porém, quando o éter da anestesia passa... a vida intensa, obscura, contrastante entra com tudo.
Saudade, anseios inconscientes, engano, dor, tristeza, separação, sexo, amor, paixão, ansiedade, medos, carência, perdição, pequenos venenos, o não saber, o aguardar, o mar, o mar, o mar! o cotidiano mais mundano, o poder da imaginação e até a salvação pelo fantasiar falam do caos emocional não só como inescapável, mas também como a própria estrada que impele a atravessar-se por dentro na direção de si mesma.
No agitado sono dentro da piscina de éter — quase onírica, muito fantástica —, um paulatino e poético despertar começa a levar um feminino ainda verde para o centro do furacão, e aí, quem sabe, estará a união de corpos entre uma donzela ingênua e sua Hetaera vivida, enigmática e que conhece a malícia."