256 páginas Tamanho 22,5cm x 15,5 cm SERIA TRÁGICO...SE NÃO FOSSE CÔMICO (HUMOR E PSICANÁLISE) Organização: Abrão Slavutzky Daniel Kupermann Convidados: Aida Ungier Chaim Samuel Katz Edson Luiz André de Sousa Ignácio Gerber Joel Birman Luis Campalans Pereda Luís Claudio Figueiredo Luiz Eduardo Prado de Oliveira Maria Rita Kehl Renato Mezan 256 páginas Tamanho 22,5cm x 15,5 cm O OUTRO LADO DO OUTRO LADO - Por Luís Fernando Veríssimo Tudo tem o seu outro lado. O sério tem o seu lado cômico, o cômico tem o seu lado sério. A procura constante pelo outro lado é uma característica de duas atividades: uma muito antiga, o humor, que começou com Adão e Eva e as primeiras piadas de casal (como a que, dizem, era a favorita do Freud, mulher para homem: “Querido, se um de nós morrer antes do outro eu juro que não me caso de novo”); e a outra, mais recente, a psicanálise. O humor vê o outro lado da trágica condição humana — está certo, a gente morre sem entender o sentido da vida, mas não faz mal porque ninguém vai nos testar depois —, e a psicanálise não se contenta com o aparente e vai atrás do suprimido, do sublimado, do somatizado, enfim, do lado verdadeiro. Humor e psicanálise também se parecem no repertório das fraquezas humanas com que lidam: fobias, simulações, auto engodos, síndromes, complexos, ressentimentos com a mãe e outras coisas seriíssimas e/ou divertidíssimas. Tratam ambos, enfim, do outro lado. Agora, quando psicanalistas escrevem sobre o humor, estão indo atrás do outro lado do outro lado.