Esta obra resgata a trajetória marcante de José Domingos Cardoso, o “Ferreirinha”, metalúrgico e figura central das lutas operárias e sindicais no Brasil e no exterior. Sua caminhada começou na Juventude Operária Católica (JOC), onde atuou como
dirigente nacional e internacional, levando sua militância até o continente africano. Forçado ao exílio nos anos 1970, viveu na Bélgica e na França, onde articulou o Grupo de Apoio à Oposição Sindical Brasileira com o suporte da CFDT (Confederação Francesa Democrática do Trabalho) e de outras centrais europeias. Nesses anos, mergulhou nos debates sobre o “Socialismo Autogestionário” e vivenciou de perto as experiências de autogestão que efervesciam na esquerda europeia. De volta ao país com a Anistia, Ferreirinha tornou-se peça ativa na reconstrução democrática e sindical brasileira. Participou da fundação do Partido dos Trabalhadores (PT) e da Central Única dos Trabalhadores (CUT), atuou na Pastoral Operária e liderou a Oposição Metalúrgica no Rio de Janeiro. Ao longo das décadas de 1980 e 1990, dedicou-se à formação política e às relações internacionais da classe trabalhadora, coordenando o CEDAC (Centro de Ação Comunitária), o Instituto Integrar e debates pioneiros sobre novas tecnologias e automação no trabalho. Através de suas cartas e projetos, o livro revela a visão de mundo de um educador popular que guiou sua vida pelo método jocista de “Ver, Julgar e Agir” e pela defesa intransigente do socialismo autogestionário. Um registro essencial da memória operária sobre um líder que nos deixou em 2001, mas cujo legado permanece vivo.