O desenvolvimento do capitalismo, em suas diversas configurações espaciais e temporais, constitui o eixo interpretativo da história contemporânea; sua análise condiciona também a reconstrução das eras precedentes da sociedade e seu substrato comum, o trabalho social. A emergência do capitalismo exigiu uma revolução na produção, que foi preparada por uma revolução comercial e uma revolução agrária. Foi na Europa Ocidental, a partir do século XII, que se originou o processo que deu lugar a um sistema social e econômico historicamente inédito e orientado para a acumulação de riqueza baseado no crescimento permanente da capacidade produtiva. A sociedade capitalista ou burguesa se constituiu com base nas relações sociais baseadas na contratação e uso (exploração) da força de trabalho livre, tendo como consequência a produção de uma mais-valia que é o produto do sobretrabalho fornecido pelo trabalhador dentro do processo de produção; a mais-valia se apresenta ao capitalista na forma de lucro do capital. O conceito de capitalismo se impôs e generalizou, na segunda metade do século XIX, por fazer referência à sua relação (oposição) social determinante, a existente entre capital e trabalho assalariado, e ao polo dominante dessa relação na sociedade burguesa. Com a determinação do trabalho social como seu fundamento motor, o acontecer humano ganhou uma nova inteligibilidade que se impôs à consciência da sociedade no tempo que chamamos de história. A libertação da força de trabalho dos grilhões dos modos de produção pré-capitalistas revolucionou a economia, a sociedade e a cultura, impondo também uma desigualdade econômica crescente entre as diversas classes sociais e nações do planeta; a emergência do capitalismo significou também um crescimento acentuado nas desigualdades do desenvolvimento econômico. A era do capital originou um mundo novo. A contradição intrínseca do capital tornou-se evidente: na sociedade burguesa, a relação social dominante é a própria “contradição