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    URGENTES PREPARATIVOS PARA O FIM DO MUNDO

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    Sinopse

    Há pelo menos três maneiras de ler os contos de  Urgentes preparativos para o fim do mundo , de Inácio Araujo.    A primeira consiste em se deixar levar pelas treze histórias surpreendentes e divertidas – que ora flertam com a narrativa fantástica, ora com a crônica de costumes, às vezes com o drama metafísico, outras com a metaficção –, tecidas com um elenco de personagens desafortunados, inadaptados ou simplesmente loucos.    Uma leitura mais detida consiste em seguir a fabulação irônica do autor, feita de lances inesperados, encadeamentos absurdos e vozes narrativas ladinas, que ao mesmo tempo confessam e enganam, seduzem e repelem, tornando o leitor um misto de juiz e comparsa de seus atos e pensamentos.    Por fim, mergulhando um pouco mais ao fundo, o que encontramos nestas histórias é uma inquietante reflexão sobre a condição humana, sintetizada pela epígrafe do livro, extraída dos  Ensaios , de Montaigne: “Tudo abraçamos, mas só vento agarramos”.     Conto após conto, o autor constrói um aparelho narrativo que permite refletir sobre o esgotamento de nossas antigas convicções, sejam as da política, da moral ou da religião, e sobre as novas e estapafúrdias esperanças que vão surgindo, igualmente condenadas à ruína.     Movido por um ceticismo implacável, Araujo vasculha este nosso mundo para exibir a comédia sem fim em que nos metemos, na qual a história acabou por se converter em logro, o presente em desconsolo e o futuro em delírio.     Ora atônitos, ora desencantados, os personagens do livro também incitam a meditar sobre a potência do tempo e a fragilidade do olhar subjetivo. E é importante notar que o próprio tempo foi cúmplice na elaboração dos contos, que começaram a ser escritos em 1987, logo após a publicação de  Casa de Meninas , o romance de estreia de Araujo, prêmio de autor revelação da APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte).    Colocadas de lado naquela época, as histórias foram retomadas pelo autor mais de duas décadas depois e retrabalhadas nos últimos sete anos até que atingissem a melhor decantação, a forma precisa e arrebatadora que o leitor encontrará em  Urgentes Preparativos para o fim do mundo .   Alcino Leite Neto Os pequenos Fazemos tudo de que os outros são capazes, e o fato de sermos um povo de pequena estatura não prejudica de forma alguma nosso desenvolvimento intelectual ou físico. Apenas que somos levados a executar as tarefas com um toque de urgência que nos distingue da gente maior. Quando uma de nossas crianças escolhe a carreira que pretende seguir, aquilo que gostaria de estudar, o faz do mesmo modo e com os mesmos critérios que as outras. Falta-lhes, no entanto, a inocência despreocupada dos demais. Não pensam em realizar-se, apenas em dar um sentido à vida. Não aspiram à felicidade, apenas a viver dignamente. Todos os obstáculos, porém, colocam-se a este módico desígnio. As pessoas grandes olham-nos com estranheza. Nada dizem, mas é diferente do jeito como encaram os seus. Seus olhos não conseguem fixar-se em nossos rostos, desviam-se de modo quase automático para o corpo. Cumprimentam-nos estendendo mãos desnecessariamente enormes, como se não soubessem o destino que terão em contato com as nossas. Não sou dos mais infelizes, penso: Deus concedeu-me a graça de fazer alguns bons negócios, que me permitem viver com folga e, mesmo, ajudar os menos favorecidos entre nós. Com frequência, porém, sonho que sou um homem alto. Que ao caminhar pelas ruas meu rosto não roça na calça dos passantes, nem que eles me derrubam nos lugares movimentados, por não perceberem minha presença, nem que as mesas e cadeiras dos restaurantes são desmedidamente altas e desajeitadas. Também me parece pouco cortês o jeito como as pessoas me olham nesses locais. Sim, o espaço nos é hostil, mas não vejo nisso nenhuma razão de chacota. O filé que o garçom recomendou naquele dia não apenas era excessivo para meu apetite como para meus braços. Céus, o prato era quase do meu tamanho e, apesar das almofadas que o maître nos trouxe (recusamos as cadeiras de criança que pôs à disposição), mal encontrava uma posição para cortar a carne e quase nem distinguia Mínima do outro lado da enorme mesa. Passamos o jantar sem trocar uma palavra, com medo de não escutarmos um ao outro. À saída, percebi que minha companheira chorava. Nunca mais a trouxe a um desses lugares, e na noite que passei insone condenei-me infinitas vezes pela ideia que tive. Aprendi que mesmo o sucesso nos negócios não alivia nosso sofrimento. Esse requisito, ao que me parece indispensável para os outros alcançarem a felicidade, nos é totalmente inútil. Naquela noite escutei Mínima, que falava no seu sono: palavras incoerentes que se acompanhavam de contrações faciais, frases inacabadas onde uma palavra se distinguia, reiterada e amarga: monstros. Não somos monstros, somos pequenos. Algum dia o provarei: terei o suficiente para comprar as terras em que almejo instalar meu povo. Ali teremos nosso prefeito, nossos advogados, noss
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    Ficha técnica

    Especificações

    ISBN9788573214420
    Pré vendaNão
    Peso50g
    Autor para link
    Livro disponível - pronta entregaSim
    Dimensões22.5 x 13.5 x 5
    IdiomaPortuguês
    Tipo itemLivro Nacional
    Número de páginas160
    Número da edição1ª EDIÇÃO - 2021
    Código Interno734256
    Código de barras9788573214420
    AcabamentoBROCHURA
    AutorARAUJO, INACIO
    EditoraILUMINURAS
    Sob encomendaNão

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