A santidade, em sua expressão mais autêntica, reside no rastro de caridade e humildade deixado por aqueles que caminharam entre nós. Frei Antônio de Sant’Ana Galvão, o primeiro santo nascido em solo brasileiro, é o testemunho de que o Evangelho pode florescer em nossa própria terra de forma luminosa.
Nestas páginas, Sóror Myriam reconstrói os passos desse religioso franciscano, revelando a profundidade de sua vida interior e os frutos concretos de sua entrega total a Deus. Entre eles, a fundação do Mosteiro da Luz, em São Paulo — obra que expressou sua dedicação às mulheres que buscavam uma vida contemplativa na colônia — e as chamadas “papeletas”, pequenos bilhetes com oração em latim distribuídos aos enfermos como remédio espiritual, cuja fama atravessou séculos e chegou até os dias de hoje. Entre episódios históricos e relatos de devoção, emerge a figura de um homem que, mesmo dentro das limitações humanas, tornou-se instrumento de paz e esperança para todos os que a ele recorriam.
Mesmo após sua morte em 1822, aos 83 anos, Frei Galvão deixou um legado de tal magnitude que seu processo de canonização atravessou gerações de investigações e testemunhos. Sua trajetória nos serve como um exercício de piedade e um convite à santificação pessoal, inspirada pela mansidão e firmeza de quem dedicou cada instante da vida ao Reino de Cristo, consolidando-se como um dos nomes mais importantes da história religiosa brasileira.