Hugo de São Vítor foi certamente um dos homens mais célebres de seu tempo por suas virtudes e por sua ciência, o mais renomado de todos os vitorinos. Nascido na Saxônia em 1096, foi professor e diretor da escola do Mosteiro de São Vítor, além de prior deste mesmo mosteiro e bispo. Baseada na tradição cristã e nas Escrituras, toda a sua pedagogia visava formar os estudantes para alcançarem a contemplação, o último grau da Sabedoria — com a qual “tem-se um antegosto nesta vida do que será a recompensa futura” —, uma formação integral que proporcionasse a união com Deus.
É justamente como parte dessa formação integral que a concepção filosófica de Hugo inclui o estudo de matérias práticas e físicas. Em A prática da geometria, o mestre vitorino volta-se à aplicação dessa disciplina do quadrivium na resolução de problemas reais. Dividindo a obra em três partes — altimetria, planimetria e cosmometria —, ele adota um método que parte do mais simples ao mais complexo. Assim, guia o aluno desde o cálculo de grandezas cotidianas até a estimativa de distâncias cósmicas, como os diâmetros da Terra e do Sol. Ler a obra é, portanto, uma rara oportunidade de aprender a geometria exatamente da mesma forma como faziam os antigos estudantes do Mosteiro de São Vítor.