A ideia de que o planeta Terra funciona como um grande organismo – vivo, interdependente e em constante autorregulação – mudou para sempre a forma como entendemos o mundo natural. Agora, essa visão ganha contornos humanos, íntimos e surpreendentes com o lançamento da biografia inédita de James Lovelock, o cientista que propôs a Teoria de Gaia. Escrito pelo jornalista ambiental Jonathan Watts e, de maneira mais do que oportuna, publicado pela Editora Gaia, selo do Grupo Editorial Global, o livro As muitas vidas de James Lovelock: Ciência, segredos e a Teoria de Gaia é fruto de mais de oitenta horas de entrevistas com o próprio Lovelock, além de acesso inédito a arquivos pessoais e científicos do pesquisador. A obra traça um retrato profundo e multifacetado de um dos pensadores mais influentes e controversos do século XX. Traz ainda um caderno de foto que mostram a trajetória de Lovelock. Lovelock desafiou paradigmas ao sugerir que a vida na Terra não é apenas passageira em um cenário inerte, mas parte ativa de um sistema que mantém as condições necessárias para sua própria existência. Essa hipótese, inicialmente recebida com desconfiança por parte da comunidade científica, ajudou a fundar as bases da ciência do sistema terrestre e influenciou gerações de pesquisadores e ambientalistas. Watts não foge das contradições e apresenta como: o cientista que ajudou a revelar o buraco na camada de ozônio também foi um defensor da energia nuclear; o pensador que inspirou o movimento ambientalista foi, ao mesmo tempo, um crítico de suas simplificações. Em vez de um retrato idealizado, emerge uma figura complexa, movida tanto por rigor científico quanto por intuição, curiosidade e, sobretudo, por uma profunda inquietação diante do mundo. Em um momento histórico atravessado pela crise climática, As muitas vidas de James Lovelock convida o leitor a revisitar não apenas a trajetória de um cientista, mas a própria relação da humanidade com o planeta que habita.