O que pode uma mãe dizer? O que se diz quando se fala em maternidade? E, sobretudo, o que permanece silenciado quando o ser mulher é discursivamente confundido com o ser mãe? Maternidade e discurso: corpos/mulheres/mães reúne diferentes vozes e gestos de leitura que interrogam os sentidos historicamente produzidos em torno da maternidade, da maternagem e da posição-sujeito mãe. Pela perspectiva da Análise de Discurso, em diálogo com a psicanálise, a literatura, os estudos feministas e outras áreas do conhecimento, a obra desloca a maternidade de uma evidência natural e universal para compreendê-la como processo histórico, simbólico e ideológico. Entre sons e silêncios, corpos que se levantam, escritas que encontram na linguagem uma possibilidade de deslocamento, experiências de maternagem, vozes literárias, desejos, culpas, sexualidades e formas de resistência, os capítulos colocam em movimento a pluralidade das experiências de mulheres e mães. A maternidade aparece, assim, como espaço de disputa de sentidos: lugar de afetos e contradições, mas também de imposições, silenciamentos, normatizações e possibilidades de resistência. Organizada por Dantielli Assumpção Garcia, a obra nasce do encontro de pesquisadoras que, a partir de diferentes materialidades e percursos teórico-analíticos, assumem o desafio de escutar aquilo que a maternidade faz dizer e aquilo que, historicamente, procurou fazer calar. Mais do que oferecer respostas, este livro produz perguntas. Perguntas que atravessam o corpo, a linguagem e a subjetividade e que nos convidam a pensar: que sentidos podem emergir quando mulheres e mães deixam de ocupar os lugares que lhes foram previamente destinados? Uma leitura para quem deseja compreender a maternidade para além dos discursos que a naturalizam — e para quem reconhece, no movimento entre o dizer e o não dizer, a possibilidade de outros modos de existir, maternar e significar-se.